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Das "Flying Chairs" aos "Flying Workers"

Já em 1930 se adivinhava a necessidade que o Homem demonstrou ter, ao longo das últimas décadas, de aumentar a sua produtividade, simplesmente pelo facto de não ficar limitado ao espaço e raio de acção que uma secretária lhe dava.

Num interessante artigo  publicado na BBC online, a jornalista Fiona Graham descreve as "Flying Chairs” como exemplo de uma tecnologia visionária que veio confirmar o quão importante a flexibilidade laboral é para os profissionais destes e de outros tempos.

Por esta razão, não ficamos surpreendidos quando verificamos que o número actual de dispositivos móveis é superior à população mundial. De acordo com o US Census Bureau a população actual ascende a 7.2 biliões, enquanto que a organização internacional GSMA reporta um total de cerca de 7.5 biliões de dispositivos, incluindo aqueles que comunicam num modo "machine2machine" (não tenho dúvidas que a "Internet of Everything" irá acelerar ainda mais este indicador).

Se por um lado o Homem tenta poupar o seu esforço físico e aniquilar custos e estádios intermédios na prossecução de uma tarefa (o que pode levar-nos a pensar que há uma propensão para a preguiça), por outro lado, todos concordamos que nos tornámos bastante mais produtivos nas últimas décadas, graças a essa nossa propensão para trabalhar com menos esforço, gerindo o tempo com mais eficiência e qualidade.

Lembra-se quando enviava uma carta urgente a alguém e, a partir do momento em que ela era enviada, podia relaxar, dado que a mesma só chegaria ao seu destino 2 dias depois e a sua resposta (caso o destinatário a colocasse no correio nesse mesmo dia) só chegaria 4 dias depois? Hoje, não só estes timings são impensáveis, como também o é o facto de não recebermos resposta a um email urgente no prazo máximo de 1 hora. Felizmente este paradigma está a mudar e acredito que as novas gerações de profissionais irão prová-lo.

Desde as cadeiras-voadoras de 1930 até ao ritmo supersónico em que trabalhamos hoje, muita coisa mudou. Mas o princípio básico – a necessidade de sermos mais produtivos e competitivos – continua a ser o mesmo. A grande diferença é que na altura a solução passava por alterar a tecnologia das cadeiras, e o protótipo construído pelos designers e carpinteiros visionários parecia perfeito! ; Passados quase 100 anos, a solução tecnológica passa cada vez mais por abdicar das cadeiras, pois descobriu-se que grande parte da produtividade está também associada à mobilidade no trabalho, à capacidade de trabalhar em equipa, não tendo essa equipa que estar no mesmo local.

Os novos modelos de trabalho – como o Escritório Virtual, o Coworking e o Teletrabalho – vieram dar novos mundos aos profissionais da economia moderna, correndo-se o risco de estes virem a ser denominados "Flying Workers".

Carlos Gonçalves
CEO do Avila Business Centers /Avila Coworking e co-autor do livro "Out of the Office".